Algo me aflinge.
Me aflinge tanto, que a intensidade anula o que eu deveria verdadeiramente saber. Como eu deveria explicar a mim mesma os “por quês” e como eu sairia dessa, sem precisar de livros, dicas ou palavras absurdas de qualquer pessoa.
Me sinto pensando muito. Pensando em muita coisa, mas muita coisa ao mesmo tempo. Como se tudo viesse para mim simultaneamente, e eu tendo que processar em milésimos de segundos. Me sinto sobrecarregada. Mente pesada, hipotálamo apertado, membros cansados. Nada muito ativo.
Me sinto julgada, às vezes por mim mesma. É como se estivesse na mesa todas as minhas máscaras, expostas para todos. Como se eu precisasse explicar ou entender o sentido de eu ter usado elas, o sentido, apenas, de elas estarem ali me denunciando. Como se eu estivesse em um palco, para milhões de pessoas me ouvirem dizer o que eu fui… E o que eu sou.
Para depois virarem de costas, darem gargalhadas, se divertirem, e acharem que são únicas. Que têm um pensamento único. Que sempre serão as mesmas e defenderão isso com atitude. Para acharem que se sentem livres, que se sentem leves, que estão bem consigo mesmas, que permanecerão com o “eu sou assim” forever and ever.
Essa pressão cai sobre mim. Cai naquilo que eu faço. Cai na minha cabeça cheia de interrogações, e depois cai no meu quarto, e dorme na minha cama fresca, e se hospeda gratuitamente na minha casa. Todo dia me acorda para lembrar o que eu fui, e como eu pensava, como eu agia. Todo dia a mesma aflição.
Isso é o algo.
Mas é nulo.
É nulo porque daqui a cinco minutos eu pensarei diferente. Daqui a cinco minutos eu vou processar outros programas. Eu vou me apaixonar por Hitler, ao invés de me apaixonar por Shakespeare. Ontem eu rejeitava sopa, hoje eu faço a dieta dela. Me embebedava com suco de limão, agora eu peço caipirinha…Daqui a cinco minutos eu vou preferir estar dormindo, ao
ter que ficar aqui tentando escrever como minha cabeça tá rodando. Ou, vou preferir que ela rode em outro lugar. Ou, não vou querer ter ânsia de vômito de tanto rodar.
Muda tanto. E tudo se julga. E todos se prendem.
E ninguém percebe que, a roupa que foi ridícula dos anos 90, vai ser a mais usada no séc XXI.
O negócio é se soltar,
deixar essa coisa de ser “eu não sou um paradoxo” e mandar todo mundo se foder.